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Desabafos

Desabafos

12
Fev20

O interior, está cheio de presunçosos!

Paulo Dias

Em Portugal, as pessoas do interior, teimam em fazer passar a ideia que nascer naquelas terras é à partida sinónimo de infelicidade, mas neste texto vamos desmontar esta farsa e perceber que nascer no interior não é infelicidade alguma, as pessoas que nascem lá é que são presunçosas e querem todas as mordomias e luxos.

 Ora então, quem nasce no interior, começa logo por ter uns pais que pretendem dar mostras da sua ostentação e querem que os meninos ou meninas vão nascer a dezenas ou centenas de quilómetros da sua terra, já para não falar nos casos daqueles que nascem no país vizinho. Não podiam perfeitamente nascer em casa, como os seus antepassados fizeram. Nos primeiros anos os paizinhos teimam em levar as crianças ao pediatra, luxos, pois podiam bem ir ao médico de clínica geral do centro de saúde mais próximo e possivelmente fariam menos quilómetros.

 Continuam a crescer e a sua infância é vivida com poucas ou nenhumas crianças da mesma idade, mas lá estamos nós outra vez perante a questão mais óbvia, quem é que os manda a eles e aos pais, querer nascer e crescer no interior. Chega então a altura de frequentar o pré-escolar e lá vem mais um luxo, todos os dias o menino ou menina são recolhidos por uma viatura da autarquia ou da junta de freguesia, para fazerem umas dezenas de quilómetros e frequentarem a primeira etapa de um longo percurso escolar e este luxo continuará pelo menos durante os doze anos do ensino obrigatório e mais uma vez tudo isto acontece, porque estes vaidosos se lembraram de nascer no interior do país, quem devia ser responsabilizado eram os pais que permitem que isto aconteça, o governo devia responsabilizá-los, ou melhor, devia legislar no sentido de proibir nascimentos no interior, ou antes ainda, doar o interior aos espanhóis e ficar só com a beleza do litoral, pois não há economia que aguente isto.

O pior ainda está para vir, pois  se algum destes presunçosos decide continuar os estudos para além da escolaridade obrigatória e achar que poderá dar-se ao luxo de ir para uma faculdade, o problema não é o de pretenderem frequentar o ensino superior, o problema passa porque teimam em querer estudar nas melhores universidades do país e claro essas estão maioritariamente nos grandes centros urbanos, no litoral como é evidente, pois nenhum governante que exerça o seu cargo com responsabilidade, se lembraria de ir construir universidade em Portalegre, Castelo Branco, Viseu, Bragança, Beja, têm uns politécnicos com cursos sem procura no mercado de trabalho, mas têm ensino superior, só não o frequentam porque não querem. A vaidade deles e dos pais, leva-os a quererem frequentar cursos com saída profissional e claro esses só no litoral como é óbvio. Depois lá vêm meia dúzia de tolos, sim, pouco mais de meia dúzia, pois no interior não vivem muitos mais, só mesmo os vaidosos como já referi, reclamar da desertificação do interior, eles que eduquem e formem os seus filhos no interior que teimam em abandonar.

Chega então a idade adulta e por consequência a aspiração em entrar no mercado de trabalho e aqui a situação piora ainda mais, estes presunçosos do interior, quer os que tiram um curso superior, quer aqueles que ficaram pela escolaridade obrigatória, mesmo adultos e já com responsabilidades cívicas, teimam em ir trabalhar para os grandes, belos e desejados centros urbanos e esses claro ficam no litoral do país, ou então e só para perceberem onde vai a presunção dos mesmos e dos pais que não os souberam educar, vão trabalhar para o estrangeiro, pura ostentação, como é fácil de perceber até para os mais desatentos.

Queixam-se que não há trabalho no interior, mas como é que pode haver, se são eles próprios que decidem abandonar as suas terras, porque estão habituados ao luxo e a ter tudo de mão beijada, por isso não têm iniciativa para serem eles próprios a criarem postos de trabalho. Desculpam-se sempre com o governo, como se houvesse obrigação do Estado em conceder luxos a estes vaidosos. Ou é porque o governo não investe no interior, ou porque não dá incentivos a grandes empresas para se fixarem nesse raio de interior onde não existe coisa alguma. No entanto, tudo isto não passam de desculpas de quem por presunção apenas quer abandonar as suas terras e que por essa razão se tornam os principais culpados pela desertificação que tanto fazem querer passar como se de uma maldição se tratasse, no entanto, eles próprios chegam dão-se ao desplante de abandonarem os mais velhos nesse interior que tanto apregoam amar.

Enfim haja paciência para estes presunçosos, eu por mim, doava o interior aos espanhóis!

06
Fev20

Uma experiência fantástica, que resultou numa aprendizagem também ela fantástica!

Paulo Dias

Como no dia de hoje não existe nenhum assunto do quotidiano que me tenha prendido a atenção, apenas uma caminhada junto a este mar maravilhoso de Santa Cruz, um dia destes vou falar destas paisagens magnificas, mas voltando ao meu quotidiano e como já referi não aconteceu nada que chamasse a minha atenção. Dei a minha leitura habitual pela imprensa nacional, mais do mesmo, fugas do segredo de justiça, que acho abomináveis e sobre as quais não me parece que exista muita vontade de investigar, mas são óptimas para os órgãos de comunicação social, pois proporcionam enormes parangonas e o que interessa é vender. Atendendo a que falar deste assunto me parece inócuo, como não me apetece também falar de coronavírus, da proposta de votação para a redução do IVA da eletricidade, que entretanto foi retirada, de futebol e mais futebol, que às vezes nos faz acreditar que neste paraíso à beira mar plantado, tudo começa, gira e termina no futebol ou nos seus meandros, vou ficcionar um pouco em torno da minha personagem, o 2º Sargento da Guarda Nacional Republicana, Feliciano.

Estávamos na primavera de 2004, por esta altura ainda Feliciano era um jovem Cabo da GNR, quando lhe foi dado o privilégio de estar na formação inicial de uma excelente equipa de militares que foi criada em todos os Grupos Territoriais da Guarda Nacional Republicana dentro do território continental. Estas equipa designavam-se Núcleo de Investigação de Crimes de Droga (NICD) e foram criadas para investigar exclusivamente, tráfico de estupefacientes na venda directa ao consumidor.

A equipa do NICD do extinto Grupo Territorial da GNR, que Feliciano integroi, foi criada em Janeiro de 2004 e chefiada no seu inicio por um mestre da GNR, quer a comandar Postos, quer na Investigação, daqueles que já não se encontram, um Sargento-Ajudante incorporado no longínquo ano de 1977 e que ao longo da sua carreira, desempenhou as mais variadas funções, sempre com um profissionalismo de fazer inveja.

No seu início a equipa do NICD de Sintra, foi constituída apenas pelo senhor Sargento-Ajudante e mais três elementos, dois alentejanos, Feliciano e outra militar da GNR e um natural da Falagueira, ali para os lados da Amadora.

A miniequipa em termos de recursos humanos era exígua, mas grande no profissionalismo e na entrega. Após a sua constituição em Janeiro desse ano de 2004, havia carência de quase tudo, quer a nível de instalações, quer a nível de todos os meios materiais necessário, mas o que nunca faltou à equipa de Feliciano, foi a vontade de fazer muito, mesmo que com pouco. Desde os primeiros dias e mesmo com todas as carências que já referi, aquela equipa do NICD de Sintra começou desde logo a apresentar serviço, iam-se sucedendo apreensões de quantidades significativas de droga, por essa altura a heroína e a cocaína registavam uma maior incidência nas apreensões. Os meios materiais foram aparecendo aos poucos, duas viaturas a estrear e que foram as primeiras a ser entregues, pois como dizia um senhor General à data, “…as chuteiras dão-se a quem joga futebol…”, as instalações essas eram exíguas, mal cabiam os quatro lá dentro e para se movimentarem tinham de fazer alguma ginástica.

Mas nada disso era impeditivo para que a recém-formada equipa, apresentasse resultados surpreendentes, muitas apreensões de droga, muitos indivíduos em prisão preventiva e com a posterior condenação efectiva em audiência de julgamento, pois, segundo uma velha máxima que sempre norteou Feliciano, prender até pode ser fácil, difícil é carrear prova para o processo que leve a uma condenação efectiva.

No início da primavera desse ano de 2004, a equipa do NICD de Sintra foi-se apercebendo de uma anormal procura por parte dos toxicodependentes das localidades de Mem Martins e Rio de Mouro, junto de um cidadão de origem africana, que deambulava durante todo o dia nas proximidades das estações da CP daquelas localidades. Os elementos da equipa efectuaram então algumas vigilâncias, para confirmar as suspeitas, vigilâncias e todo o trabalho de terreno eram acompanhados pelo Sargento-Ajudante, que apesar de se encontrar a escassos dois anos de abandonar a GNR em razão dos anos de serviço e da idade, mais parecia um jovem em inicio de carreira, tal era o entusiasmo que colocava em todas as acções. As vigilâncias formaram a convicção na equipa, que existiam fortes indícios de o individuo de origem africana se dedicar à venda de droga.

Como na investigação não existem bolas de cristal, o próximo passo seria o de contactar um informador de confiança. Foi o que sucedeu, esse informador confirmou junto dos investigadores a venda de heroína e cocaína por parte do individuo africano, que seria conhecido junto dos consumidores pela alcunha de “São Tomé”, supostamente o seu país de origem. Confirmadas as suspeitas, os elementos do NICD elaboraram um Auto de Notícia para o Ministério Público da Comarca de Sintra, dando conta dos indícios recolhidos, foi-lhes então delegado o inquérito para investigação por aquela entidade.

Durante cerca de três meses, os quatro elementos do NICD de Sintra, desenvolveram várias diligências investigatórias, por forma a recolher a necessária prova para proceder à detenção quer do “São Tomé”, quer de outros eventuais indivíduos que se viesse a demonstrar estarem envolvidos neste processo de tráfico de droga. As diligências, passaram por escutas telefónicas, muitas vigilâncias, transcrições de escutas, relatórios de vigilâncias e todo este trabalho foi desenvolvido apenas por aqueles quatro militares, que mesmo assim não regateavam esforços para recolher toda a prova possível, o que os conduziu aos fornecedores de droga do “São Tomé”, às várias residências dos suspeitos, às denominadas casas de recuo, que são os locais onde os traficantes guardam a droga, dinheiro e todo o material relacionado com o tráfico de estupefacientes.

Munidos de todos estes elementos, solicitaram junto do Ministério Público de Sintra, Mandados de Busca e Apreensão para as residências dos suspeitos, viaturas dos mesmos e casas de recuo e ainda Mandados de Detenção para os suspeitos.

Foi então delineada ao pormenor uma operação policial para cumprir os respectivos mandados, operação coordenada pelo experiente Sargento-Ajudante e na qual participaram diferentes valências da Guarda Nacional Repúblicana. Operação essa que teve o seu início às primeiras horas da manhã de um bonito dia de primavera, decorreu durante várias horas e culminou com a detenção de todos os suspeitos, apreensão de mais de três quilogramas de droga (heroína e cocaína), elevadas quantias de dinheiro e material relacionado com o tráfico de droga.

Os suspeitos foram presentes a Juiz de Investigação Criminal do Tribunal de Sintra para 1º Interrogatório Judicial, o qual decorreu durante várias horas e sobre fortes medidas de segurança. Culminou com a medida de coação de prisão preventiva para todos eles.

Mas o trabalho não terminava aqui, o inquérito prosseguia, seria necessário ouvir o máximo de testemunhas possíveis, nomeadamente consumidores que adquiriam droga aos indivíduos, além de outras diligências, o seu términus apenas aconteceu com a elaboração de um relatório final, onde foram referidos todos os passos da investigação, do primeiro ao último dia, relatório que neste caso foi elaborado pelo então Cabo Feliciano e que era constituído por dezenas de páginas.

Deste processo e para além de tudo o que já mencionei, o Feliciano aprendeu uma lição muito importante, que lhe foi bastante útil na sua restante carreira profissional, quer como chefe do NICD, pois Feliciano teve o prazer de já como 2º Sargento substituir aquele que foi a sua referência como chefe daquela equipa, quer à posteriori como Comandante de Posto, e essa lição é simples, um Comandante lidera pelo exemplo e se assim o fizer, quatro elementos, trinta, quarenta ou mais vão acompanhá-lo até ao fim, pois têm ali uma referência.

Aquele Sargento-Ajudante da incorporação de 1977, um dias antes de Feliciano abandonar temporariamente a equipa para frequentar o curso de promoção a Sargentos, disse-lhe uma frase enigmática, mas que  acompanha e serve de guia a Feliciano até ao dia de hoje, “…no dia que saíres do comando de um Posto ou de uma equipa e todos os militares te derem palmadinhas nas costas, fica com uma certeza, fizeste um trabalho de merda…”.

06
Fev20

Não posso contar uma história que não é a minha!

Paulo Dias

Quando escrevo os meus desabafos, quem lê poderá ser levado a pensar que só escrevo sobre assuntos menos bons, no entanto, se for essa a forma de interpretar os meus textos, são interpretações que estão longe da realidade. Não intitulei o meu blog de “Desabafosalentejanos”, de forma fútil, pois como o próprio nome indica, são os meus desabafos e eu sou alentejano com um orgulho imenso. Ora, tendo isto em conta, seria de todo despropositado e pouco sério, se “dourasse a pilula” sobre a minha história de vida, pois aí não estaria a desabafar, como é minha intenção, não me estaria a libertar, estaria sim a mentir e enganar-me a mim próprio e em consequência quem de uma forma ou de outra vai dando uma vista de olhos naquilo que escrevo.

Não posso dizer que tive uma vida de privilégios materiais na minha infância e na minha juventude, porque isso não aconteceu, tive sim o privilégio de estar rodeado de pessoas humildes, integras, que me deram sempre imenso amor e que nunca permitiram que me faltasse comida na mesa. Quando falo do amor incondicional que sempre me rodeou na infância e na juventude, podia mencionar vários nomes, mas todos os outros que me desculpem, vou referir os três mais importantes, os meus falecidos mas sempre presentes pais, o senhor Feliciano, a dona Catarina e o meu querido irmão, António Manuel, Tó-Manel para os amigos, que tem estado sempre ao meu lado nos momentos mais difíceis e sempre com muito amor.

 Sinto-me um privilegiado, porque na minha educação e formação enquanto pessoa, transmitiram-me todos os valores pelos quais sempre pautei a minha vida e que neste momento tento transmitir aos meus filhos. Por isso caros amigos, não vos poderei dizer que os meu pais eram uns abastados agricultores alentejanos, porque estaria a mentir, o meu pai como já referi algumas vezes, era um serralheiro de enormes qualidades pessoais e humanas, que aquilo que ganhava, apenas e já não é pouco, lhe permitia colocar o comer na mesa e comprar as dezenas de medicamentos que a minha mãe, que era doméstica tomava diariamente. Isto para vos dizer, que me faz confusão ver nas diversas redes sociais, na internet em si, relatos devidas fantásticas, de opulência, glamour, sem quaisquer tipos de problemas, o que me leva a pensar se serão relatos de vidas ou de um filme. Os meus desabafos são a minha vida tal como ela é, porque a vida é algo de muito belo, mas tem muitas “pedras” pelo caminho, ou então serei só eu que sou um tipo azarado.

Quando várias vezes abordei nos meus textos, a perda, referia-me sempre à perda das pessoas que amo, aspecto em que a minha vida não tem sido muito “meiguinha”. Se não vejamos, perdi a minha mãe com graves problemas de saúde e uma depressão crónica, que julgo ter herdado, aos catorze anos e numa data marcante como é o dia de Natal, o meu pai que nos seus últimos anos de vida enfrentou vários problemas de saúde graves e acabou por falecer um mês antes do meu casamento e assisti com uma dor indescritível, a qual nunca conseguirei explicar, à perda de um filho, o meu príncipe Alexandre. Tive, pois a infelicidade de assistir aquilo que nenhuns pais merecessem, que é contranatura, a inversão do ciclo normal da vida, ter de enterrar um filho, é na minha opinião o expoente máximo da dor.

Quando achava que a vida já tinha colocado todas as pedras no meu caminho, uma esposa que ama, dois filhos que são a minha vida, profissionalmente sentia-me feliz e realizado, eis que aos 44 anos a vida surge mais um “pedregulho” no caminho, de um momento para o outro uma doença com um nome estranho, encefalopatia hipertensiva, coloca-te entre a vida e a morte, mas um Deus em que eu acredito, concedeu-me mais uma oportunidade para estar junto daqueles que amo, apesar das mazelas significativas que me impedem de desempenhar a minha profissão e me limitam no dia a dia e com as quais ficarei até ao dia em que Deus achar que chegou a minha hora.

Portanto meus amigos a minha a vida e passo o pleonasmo, tem sido isso mesmo a vida, com todas estas “pedras” pelo caminho, mas também com muitas coisas boas e às quais me tenho referido imensas vezes nos meus desabafos, a começar por uma família fantástica, que me deu e continua dar sempre um grande apoio e um amor incondicional, à felicidade que Deus me proporcionou de continuar a ver os meus filhos crescerem e o poder estar com aqueles que amo é neste momento o melhor da minha vida, não preciso de mais.

Outra das razões que me faz desabafar muitas vezes sobre a minha doença e como já várias vezes o referi, não é para me lamentar, muito menos para criar um sentimento de pena, que para mim não faz qualquer sentido, esses meus desabafos sobre a doença, sobretudo sobre a depressão, são uma tentativa de ajudar aqueles que enfrentam o mesmo problema com esta doença silenciosa.

Irei certamente continuar a abordar nestes meus desabafos, a minha vida, porque e repito a intenção dos mesmos é exteriorizar sentimentos, libertar-me através da escrita.

Nesta fase e porque é o que me está a apetecer, quem não escreve com qualidade, tem a vantagem de se dar ao luxo de escrever o que lhe apetece, os outros escrevem best sellers, irei passar para outro registo, escrever sobre o quotidiano nas suas mais variadas vertentes, mas sempre sobre coisas que observo e sobre as quais emitirei a minha opinião, que certamente não será consensual, tal como eu não sou, nem nunca pretendi ser, certo que continuarei a escrever como até hoje, sem filtros de espécie alguma, com a excepção da politica, que em razão da minha qualidade de militar da Guarda Nacional Republicana, nunca será assunto dos meus desabafos e sobre futebol que é algo tão fútil nas nossas vidas e já tem demasiados fazedores de opinião, não precisa certamente de mais um.

03
Fev20

A vida, a morte e os sentimentos contraditórios!

Paulo Dias

E o que dizer do Dinis, que quando eu e a mãe falamos que vou a uma consulta, ou que vou realizar algum exame, fica muito atento à conversa e com uma expressão de um menino que está preocupado. Ainda hoje e porque ele passou a noite cheio de tosse e sem conseguir descansar, decidimos que seria melhor não ir à escola e ficar em casa comigo, só que o dia presenteou-nos com um sol radioso e com um dia muito agradável, registando as temperaturas uma subida considerável, o que levou a que a minha pressão arterial fosse a única que não gostasse desse aumento das temperaturas e descesse para valores que me deixam sempre à beira de um fanico. Ora, como estava sozinho com o Dinis em casa e para prevenir que esse fanico não acontecesse mesmo, tomei algumas precauções, que passaram obrigatoriamente por medir a pressão arterial com uma maior frequência, tentar ao máximo manter-me sentado. Perante este cenário e porque o Dinis me viu meio quebrado no sofá, várias foram as vezes que me perguntou, “…pai tomaste os comprimidos, é que tu às vezes esqueceste…”, as lágrimas vieram-me aos olhos, o meu bebé, com apenas seis anos preocupado com a minha saúde. Como pai fico sem palavras perante tamanha demonstração de carinho, de preocupação e pela sensibilidade de um menino que completou seis anos à meia dúzia de dias, fico orgulhoso, sem palavras para descrever o amor demonstrado pelos meus filhos, mas eu não queria e eles não merecem estar preocupados com a saúde do pai, nas suas idades e por isso mesmo enfrento estes sentimentos contraditórios, que me atormentam.

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