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Desabafos

Desabafos

02
Mar20

E então, é isto que queremos?

Paulo Dias

Arredado da escrita há muitos dias, por razões que a razão desconhece e porque desabafar através da escrita não tem que ser uma obrigatoriedade, mas antes, uma vontade que surja de forma espontânea.

Desde o meu último texto, vários têm sido os assuntos que vêm merecendo o meu interesse, porque gostava de os ver discutidos de forma séria, para refletirmos enquanto sociedade e não caminharmos perigosamente para o desconhecido.

Senão vejamos, não seria importante termos uma discussão alargada sobre a autoridade do Estado? Ou estarei eu completamente equivocado, quando vejo vezes demais, essa autoridade ser colocada em causa perante intervenções legitimas das Forças de Segurança? Mas o debate sobre esta problemática grave e que atinge já contornos muito perigosos para a nossa sociedade, não pode estar circunscrito às redes sociais, é importante que os portugueses exijam aos senhores deputados, ao senhor Primeiro Ministro, ao senhor Presidente da República, que sejam tão céleres em pronunciar-se sobre um cada vez mais usual desrespeito pelas Forças de Segurança e em consequência um desrespeito grave da autoridade do Estado, como o fazem quando seguem a linha de um populismo desprezível, que apenas vislumbra um supositício desrespeito pelos direitos das aclamadas e também supostamente ostracizadas minorias, querendo ignorar os deveres que a todos nós cabe cumprir, inclusive e pasme-se, às minorias.

 Um forte exemplo desta preocupação que me assola, é a pronta intervenção do mais alto magistrado da nação, quando perante aquilo que são apenas indícios de uma pretensa situação de racismo num estádio de futebol, vem a público e de uma forma célere condenar indícios, sem factos provados e não se pronuncia sobre aquilo que se verificou no cemitério do Alto de São João em Lisboa, em que é visível, grave e preocupante a forma como dezenas de cidadãos colocaram em causa a autoridade do Estado, ao rodearem dois Agentes da Policia de Segurança Pública, colocando em causa a sua integridade física e desrespeitando ordens legitimas.

E não estou a colocar em causa o abjeto dos possíveis insultos racistas, que terão acontecido num estádio de futebol em Guimarães, ou noutro qualquer local, se efetivamente aconteceram e se identificarem os culpados, que sejam os mesmos presentes às instâncias judiciais. Mas esta questão e depois da indignação geral do poder politico, do escândalo nacional denunciado pela imprensa, fez-me recordar muitas das minhas intervenções enquanto Órgão de Policia Criminal, junto de alguns indivíduos pretos, em que fui brindado com expressões, como “Pula do c******” ou outra mais meiguinha, “Branco de m****”. Serão estas expressões carinhosas ou racismo? Importa esclarecer, porque todos os dias os elementos das Forças de Segurança são apelidados de estas e outras expressões idênticas.

Parece-me importante que nos envolvêssemos enquanto sociedade na discussão deste e de outros problemas estruturantes e que exigíssemos responsabilidades a quem exerce cargos políticos. Mas acho que isso não será possível no imediato, não enquanto as nossas preocupações enquanto sociedade continuarem a girar em torno de temas inócuos, andarmos entretidos com futebóis e alarmismos de coronavírus desmesurados, que nos vão mantendo distraídos dos assuntos efetivamente importantes para uma vida em sociedade.

Este assunto das minorias oprimidas e do racismo, aparece vezes demais para “camuflar” um ato criminoso, ou será apenas impressão minha? Já enjoa este populismo bacoco de gente sem experiência de vida e de outros cujas responsabilidades que lhe foram conferidas, os deveria obrigar a “tento na língua” como se diz na minha terra, alguns que nunca estiveram em bairros complicados, que não fazem ideia dos perigos que o consumo de drogas ilegais muitas vezes adquiridas nesses mesmo bairros (ou alguns saberão bem demais, mas assumem o risco do vicio) acarretam, que nunca falaram com a vitima de um roubo, de uma violação, nunca falaram com alguém que fosse vitima de um crime grave. Mas acham-se os donos da verdade, têm acesso privilegiado aos órgãos de comunicação social e fazem uma campanha de desinformação que trás benefícios para as duas partes, uns mentem com interesses bem definidos, os outros promovem a mentira porque procuram selvaticamente, audiências, manchetes. Investigar e preocupar-se em revelar a verdade, trabalho associado ao jornalista, dá trabalho e pode não trazer as audiências e a tal manchete.

Eu tenho mais de vinte anos de experiência profissional e posso garantir-vos que já trabalhei nos locais mais complicados, já lidei com criminosos brancos, pretos, ciganos, cristãos, muçulmanos, etc. e nunca prendi pessoas, em razão da sua cor de pele, credo, religião, etc. Afirmo convictamente, que nestes mais de vinte anos de profissão, oficial ou oficiosamente, não conheço ninguém nas Forças de Segurança, no Ministério Público e na Magistratura Judicial, que tivesse prendido alguém atendendo a algum predicado que não fosse outro, que não o de ter praticado algum ato criminoso. Mas como referi, esta pretensa opressão das minorias, o racismo, vêm-se revelando uma onda fácil de cavalgar por jornalistas, políticos e demais aprendizes, a quem devíamos exigir total moderação e isenção nas suas intervenções.

No entanto, hoje os pretensos jornalistas andarão felicíssimos, porque finalmente Portugal tem casos de coronavírus confirmados, os nossos governantes não direi satisfeitos, mas não se importarão certamente que andemos entretidos com as noticias, que em Portugal normalmente têm o condão de desviar as nossas atenções do essencial, vá-se lá saber porquê. Quando não existir coronavírus, ou a noticia estiver gasta, entreter-nos-ão com um final de campeonato de futebol que se afigura “aceso”, depois as férias dos pretensos famosos e dos políticos, com um pouco de sorte, existirá por aí alguém que divulgue algumas imagens gravadas por um telemóvel, de algum suposto caso de violência policial, ou algum ato isolado de racismo, ou pretenso racismo, ou ainda algo que vá contra os interesses de alguma minoria.

É na minha opinião, um caminho muito perigoso estamos a seguir enquanto sociedade, ou a permitirmos que se siga. Será que conseguiremos depois devolver a autoridade ao Estado? Que custos é que essa ação terá? Ou será demasiado tarde? Caso seja tarde, os que agora cavalgam a tal onda do populismo, terão capacidade para enfrentar as consequências? São muitas interrogações, questões que nunca queria que se colocassem, mas como digo, não tenho dúvidas que caminhamos por trilhos muito perigosos, julgo que já não será possível travar a marcha, veremos se temos a capacidade de no final do abismo nos reerguemos enquanto sociedade. Tenho pena, muita pena mesmo, não por mim, mas sim pelos meus príncipes e por todos os seres inocentes que em nada contribuíram para a sociedade que lhe vamos deixar.

Esclarecer apenas dois pontos, suscetíveis de uma interpretação mais enviesada. Gosto de futebol, gosto do Benfica, não consigo, no entanto, conceber, que em Maio vão trezentas ou mais mil pessoas ao Marquês de Pombal, para festejar um titulo de futebol e não consigamos mobilizar mais que umas dezenas ou centenas, quando se trata de questões importantes para o país. Coronavírus, sou insensível ao problema? Não, nada disso. Até porque, infelizmente sou detentor de vários pressupostos que me conduzem aos chamados grupos de risco. Tenho problemas cardiovasculares, insuficiência renal e hipertensão maligna, tendo em conta estas questões saúde, é desaconselhável que tenha uma simples constipação, muito menos o coronavírus ou algo de idêntica índole. Tenho, contudo, bastante dificuldade em aceitar, este clima de alarmismo exponenciado pelos órgãos de comunicação social, mais uma vez, apenas com a intenção de fazer manchetes, ou de obter as maiores audiências. O que nos conduz novamente à questão da desinformação e do “entretenimento” falacioso e perigoso.

 

Coronavírus, Ucrânia. Manifestantes atacam autocarros com cidadãos retirados da China.

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